BRASIL 5 x 0 HONDURAS: SCOLARI APROVEITA BEM O AMISTOSO E FAZ NOVOS TESTES NA EQUIPE

17/11/2013 04:59

 

O Brasil enfrentou Honduras no Sun Life Stadium, em Miami, nos Estados Unidos. Como esperado, conseguiu vencer o frágil adversário. No treino de sexta, Felipão delineou a equipe que entrou em campo ontem, demonstrando que ia escalar o escrete canarinho inicialmente no 4-2-3-1. De acordo com o treino tático, esse seria o time titular: Victor, Maicon, David Luiz, Dante e Maxwell; Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Bernard e Neymar; Jô. Depois fez algumas mexidas, testando as novidades que apareceram na convocação.

Na primeira parte do treino, Scolari iniciou com Willian e Lucas Leiva entre os titulares. Na parte final, colocou Luiz Gustavo e Bernard em seus lugares. O fraco desempenho na parte inicial não agradou o comandante da Seleção, que acabou utilizando mais no time titular os jogadores que já está acostumado a escalar, se valendo da base já criada. Lembrando que Daniel Alves e Thiago Silva ficaram fora por problemas físicos. Marquinhos, Robinho e Hernanes também foram testados, mas por pouco tempo.

 

- Em princípio, eu tinha uma ideia de equipe, mas modifiquei. Não gostei do primeiro treino. Vou colocar mais ou menos a equipe que jogou a Copa das Confederações e fazer as observações durante o jogo – explicou o treinador da seleção brasileira.

 

E o treinador usou bem o duelo para testar, principalmente as alternativas táticas da equipe. O Brasil, como esperado, iniciou no 4-2-3-1 com Neymar pela esquerda, Oscar pelo centro e Bernard pela direita. Mas, nos 15’ iniciais, a seleção hondurenha adiantou as linhas para o campo brasileiro e dificultou a produção de jogadas do time de Felipão, enlatando Neymar com quatro jogadores em sua marcação pela esquerda. Até que Scolari mudou a estrutura tática da equipe aos 16’, o que também mudou a história da partida.

 

Nos 15’ iniciais, Honduras tomou a iniciativa e afastou o Brasil de sua área. Neymar ficou encaixotado na marcação advinda das linhas hondurenhas. O colombiano Luis Suárez montou seu 4-4-2 britânico preso pela direita e solto pela esquerda, o que prendeu Bernard na marcação e isolou Jô na frente. O Brasil tentou adiantar as linhas e marcar pressão com Oscar e Jô dando o primeiro bote, mas sofreu o “abafa” do rival e não conseguiu finalizar. Ressaltando que Oscar chegava ao ataque na transição ofensiva para montar aquela linha de 4 atacantes e igualar numericamente com a linha de defesa do adversário.

 

 

Aos 16’, Felipão alocou Bernard aberto pela esquerda, abriu Oscar pela direita e soltou Neymar pelo centro, livre para jogar entre as linhas ou então às costas dos volantes. O Brasil cresceu com a mudança e quase fez o gol logo após, assim como também cresceu o futebol de Neymar, com mais espaço para partir em velocidade. Os extremos brasileiros alargavam para o futebol do craque brilhar, com Oscar centralizando e arrastando o volante Palacios, o que proporcionou campo para Paulinho jogar e ser o nome da primeira etapa. O volante também conseguiu espaço por causa dos avanços de Espinoza. Os hondurenhos travaram o lado direito e só atacavam pela esquerda, o que anulou Maicon na primeira etapa. Aos 35’, Oscar inverteu com Bernard, ficando assim até o final. Nos 30’ finais, o Brasil predominou e finalizou mais de 10 vezes.

 

 

Aos 22’, Paulinho tomou a bola pela segunda vez apertando a saída e tocou para o centro da área, onde encontrou Bernard livre fazendo a diagonal. O garoto ficou visivelmente emocionado com seu primeiro gol com a camisa amarela: 1 x 0 Brasil. Logo depois, David Luiz fez o treinado lançamento diagonal para o extremo oposto, arma que Felipão guarda na manga para utilizar contra as retrancas. Bernard saiu na cara do gol, mas dessa vez não conseguiu guardar a bola nas redes.

Jogando pelo centro, Neymar fez lançamentos, deu passes, arrancou com a bola dominada e confundiu demais a marcação de Honduras. A mudança tática propiciou ao atleta novamente liderar a equipe tecnicamente, com mais uma atuação em alto nível técnico. O Brasil jogou o primeiro tempo de forma competitiva e se saiu bem contra uma equipe que marcou muito forte por zona, sempre tentando fechar as linhas de passe e congestionar a produção ofensiva do adversário pelo centro de campo.

Para o segundo tempo, Felipão já veio com duas alterações do intervalo. Entraram Robinho e Willian nas vagas de Jô e Bernard.  O jogador do Milan foi posicionado no centro, como um falso 9 que caía mais pela esquerda, sendo essa dobradinha mais um teste para otimizar as atuações de Neymar pelo setor sem que o mesmo fique enlatado pelas marcações duplas ou triplas, às vezes com quatro adversários no seu encalço. A ex-dupla do Santos ainda foi beneficiada pelos avanços constantes de Maxwell, que teve boa atuação.

 

Com as entradas de Robinho e Willian, o Brasil voltou a atuar no 4-2-3-1, mas variava bastante para o 4-1-4-1 com eventuais alinhamentos de Oscar e Paulinho pelo centro da cancha. Willian e Oscar eram mais presentes na transição defensiva e voltavam para ajudar os volantes, tudo para liberar Neymar e Robinho somente para a criação de jogadas. Luiz Gustavo ficou mais preso para propiciar a sobra, visto que o 4-4-2 britânico de Honduras atuava com dois atacantes. Logo no início da segunda etapa, Neymar bateu falta lateral e Dante escorou de cabeça para o fundo das redes: 2 x 0 para o Brasil.

 

 

O comandante brasileiro ainda fez mais 4 alterações. Saíram Oscar, Neymar, David Luiz e Maxwell. Em suas vagas entraram Ramires, Hulk, Marquinhos e Lucas Leiva. O time hondurenho fez várias alterações, o que descaracterizou a disputa e a deixou com mais ares de amistoso. Neymar teve que ser substituído pelo excesso de violência do adversário e Luiz Gustavo como lateral esquerdo era um teste desejado por Felipão. A primeira das alterações foi a entrada de Ramires no lugar de Oscar, aos 20’. Desse momento, até o final, o Brasil atuou no 4-1-4-1/4-3-3 estampado acima, conseguindo mais três gols em belas jogadas coletivas.

 

 

Aos 21’, o Brasil fez o terceiro com Maicon, que iniciou a jogada pela direita e foi concluir depois de Robinho escorar, Paulinho bater e o goleiro espalmar para a entrada da área. Aos 24’, Willian marcou o quarto fazendo a diagonal do centro para a entrada lateral da área, após receber belo passe de Hulk. E o quinto gol foi o mais bonito da partida. Aos 28’, Ramires passou de calcanhar para Robinho, que também de calcanhar passou para Hulk. O atacante dominou de letra e colocou no cantinho: 5 x 0 Brasil.

Sobre Robinho, apesar de ter encontrado muito espaço no segundo tempo, voltou com vontade, deu vários passes, caiu pelos dois lados, bateu uma na trave e foi efetivo naquilo que o treinador pretendia com sua entrada, que era melhorar a movimentação do homem de referência. Mesmo com a fragilidade do adversário, que até surpreendeu pela organização estratégica, podemos dizer que a Seleção continua avançando e sendo lapidada com sucesso.

André Rocha comentou sobre o momento com propriedade no Facebook, já adiantando a importância do duelo contra o Chile:

 

- Apesar da freguesia histórica (tirando os 4 a 0 de 1987), o jogo contra o Chile de Alexis Sánchez e Jorge Sampaoli será um ótimo teste para o time de Scolari. Independentemente do resultado e do desempenho, é impressionante o quanto a seleção brasileira avançou em 2013. Felipão fez três anos em um: aproveitou a base do Mano Menezes, colocou do seu jeito em campo e no vestiário. Parece ter nascido para dirigir seleções, especialmente a brasileira. Time pronto, Neymar protagonista e grupo quase fechado, mas com as brechas que devem ser deixadas.

 

O amistoso foi válido para o teste das vertentes táticas, lembrando que a equipe de Honduras está classificada para a Copa e tem chances de ser adversária do Brasil no torneio. Apesar da violência exagerada dos hondurenhos na marcação, a dedicação do rival na defesa fez o time brasileiro ser mais incisivo na busca por espaço e volume de jogo ofensivo. Agora a equipe de Felipão terá um teste bem mais severo na próxima semana contra o Chile de Jorge Sampaoli. Abraço!

 

 

http://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/2013/11/felipao-escala-victor-luiz-gustavo-e-bernard-entre-os-titulares-da-selecao.html

 

 

 

Victor Lamha de Oliveira

 

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O texto e o jogo

João Elias Cruz | 17/11/2013

Victor, muito boa sua análise... Gostei do sistema de rotação no ataque, com muita troca de posição, triangulações, movimentação intensa, utilização do pivô de Jô, aproximações nos canais centrais do ataque, além da "ousadia e alegria", sempre com muita velocidade na transição. Honduras fez uma marcação por zona, que encurtava bem os espaços, fechava linhas de passes, tentava pressionar a saída de bola brasileira por alguns momentos, com blocos compactos e centralização do winger oposto e do lateral oposto na grande área quando a jogada ocorria no outro extremo do campo... Mas a nossa seleção conseguiu superar isso explorando as incursões em diagonal e a profundidade com nossos "externos", além de que havia boa compactação ofensiva, com muita proximidade entre os jogadores para formar as linhas de passes, facilitando as penetrações. Abraço!

Isso mesmo!

Rafael Silva | 17/11/2013

Isso mesmo.. Gostei do Brasil, só não pode brincar na Copa, como fez na parte inicial, senão dança.. É concentração do início ao fim. Abraço.

Rafael, do Futebol Extensivo.

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