PRÉVIA TÁTICA: BRASIL x HONDURAS

03/08/2012 02:32

 

O único jogo de Honduras que eu pude acompanhar foi o duelo contra a Espanha, partida que os hondurenhos venceram por 1 a 0, gol de Bengston. Na oportunidade, ficou claramente perceptível o 4-4-2 inglês em linhas de quatro praticado por Honduras, sendo este muito bem executado, tanto na compactação quanto na movimentação ofensiva. Creio que a Seleção de Honduras vai repetir a receita contra o Brasil, outra equipe qualificada tecnicamente.

Em seu blog Impedimento.com, Eduardo Cecconi, gênio da análise, dissecou as linhas de quatro de Honduras, descrevendo bem sua forma de atuação. Tanto que intitulou o texto sobre a partida de “Honduras exerce forte pressão na defesa da zona”, numa tentativa de chamar a atenção para a compactação e obediência tática do 4-4-2 hondurenho. Abaixo alguns trechos do aludido texto de Cecconi:

 

- “(...) 4-4-2 hondurenho, com os destros Najar e Crisanto nas beiradas do meio-campo, Garrido como meia-central mais defensivo – um volante, na prática – e o canhoto Espinoza responsável pela saída (na Inglaterra, o central que faz o vai-vem é chamado de “box-to-box” por jogar de uma área – box – à outra); na frente, o centroavante Bengston (autor do gol contra a Espanha), e o segundo atacante Martinez – outro canhoto – movimentando-se em todos os setores do campo ofensivo(...).

- (...) Contar com dois canhotos como referências para a posse – Espinoza e Martinez – naturalmente atraiu as jogadas para o lado esquerdo. Foi dali, inclusive, que saiu a triangulação originária do gol de Bengston – cabeceio consecutivo ao cruzamento de Espinoza.

E Honduras não se acovardou. Marcou em bloco médio, com momentos de alguma pressão na saída da bola espanhola, principalmente na primeira fase de construção (tiro de meta ou reposição de impedimentos/faltas/laterais no início do campo adversário). E, recuperada a posse, tinha articulação inteligente.

Trabalhando bem nas duas linhas, Honduras rodou a bola de pé em pé, fazendo à famosa “troca de corredor” por baixo do campo – leva a bola para um lado, balança a zaga adversária para aquele setor, e volta de pé em pé por baixo (usando zagueiros e/ou volantes) para levar a bola até o outro lado. Geralmente, as jogadas iniciavam na direita, e rodavam para terminar na esquerda, lado forte ofensivamente. Até mesmo nas transições ofensivas (contra-ataques) Honduras trabalhou a posse de forma paciente, acelerando os lances apenas se a circunstância permitisse.

Mas o movimento tático mais importante foi a DEFESA DAS ZONAS COM PRESSÃO SOBRE A BOLA. Sem esta pressão sobre a bola na defesa das zonas o 4-4-2 em duas linhas (e suas variações) perde a força de combate. Atribuo, inclusive, à falta desta pressão os insucessos de algumas experiências com o 4-4-2 inglês no Brasil: acredito que as duas linhas NÃO funcionam com marcação PASSIVA. Para dar certo, TEM QUE PRESSIONAR A BOLA NA ZONA (sem analogias sexuais, por favor).

E como funciona? O treinador define a altura dessa pressão (até onde vai à zona de cada jogador) e determina: quando a BOLA entrar ali, PRESSIONA! Já os demais jogadores precisam MANTER as linhas ORGANIZADAS. E mais: quando a bola sai da zona, caso a posse não seja recuperada, o jogador que exerceu a pressão VOLTA PARA A LINHA enquanto outro companheiro ATACA a bola na zona onde ela entrou (...).

- (...) O lateral-esquerdo Figueroa, experiente em 4-4-2′s britânicos – atua no Wigan, da primeira divisão da Inglaterra – ATACA A BOLA na defesa de sua zona, enquanto todos os demais sete integrantes das duas linhas preservam a estrutura, sem encaixes ou perseguições individuais aos jogadores que estão sem a bola. Essa é a essência do sucesso defensivo do 4-4-2 em duas linhas (...).

- (...) Com essa pressão zonal intensa, Honduras bloqueou os lados. Para completar, a armadilha: os atacantes Bengston e Martinez mantinham-se centralizados sem a bola, fechando a saída dos volantes espanhóis e induzindo os zagueiros da Fúria a acionar os lados – fechados pela marcação dupla das linhas britânicas. E assim a Espanha chegou a ter mais de 60% da posse, e a concluir 24 vezes, mas em apenas 6 acertou o gol – Honduras tornou essa posse pouco objetiva e tirou a velocidade do jogo espanhol(...).”

 

 

Como bem salientado por Cecconi, a equipe de Honduras executa muito bem esse 4-4-2 inglês, principalmente no que concerne ao seu apego defensivo e a compactação de suas linhas. Cada atleta marca pressionando em sua zona determinada pelas linhas de quatro, demonstrando um grau elevado de obediência tática. Outra coisa que ficou perceptível ao assistir a partida, sendo também lembrado no texto de Cecconi, é a boa articulação de jogadas do time de Honduras. Além de se defender bem, executando a compactação por pressão nas linhas, é também uma equipe que possuí certo grau de técnica para elaborar jogadas de ataque e contragolpes.

Confesso que essa obediência tática e a exímia execução do 4-4-2, em todos os seus aspectos, também me surpreendeu enquanto prestigiava a partida. Com certeza Mano Menezes assistiu ao jogo e também deve estar preocupado com a força defensiva das malsinadas linhas. Porém, a fórmula mais viável de vencer a retranca hondurenha já está pronta: o 4-2-3-1/4-4-2 de Mano, com Neymar livre como segundo atacante, se movimentando incisivamente por todo o campo ofensivo.

Como dito no post do jogo Brasil x Nova Zelândia, Mano escalou o Brasil no 4-2-3-1. No entanto, a estratégia era liberar Neymar como segundo atacante num típico 4-4-2 em linhas. Assim como o Fluminense de Abel, o Galo de Cuca e o Corinthians de Tite, a Seleção apresentou contra a Nova Zelândia uma moderna versão estratégica do 4-2-3-1, verdadeira evolução tática do sistema (que na verdade é um retrocesso às suas origens, muito provavelmente o 4-4-2 em duas linhas de quatro).

Nesse sentido, creio que a melhor solução para Mano Menezes é espelhar o 4-4-2 com suas devidas peculiaridades, deixando Neymar livre para trabalhar entre as linhas de marcação da equipe de Honduras. Acreditando que a equipe hondurenha irá repetir o esquema usado contra a Espanha, e lembrando que Neymar executou bem a função quando exigido, esse pode ser o desenho tático do duelo que define um dos semifinalistas Olímpico:

 

 

Assim como André Rocha no Olho Tático, venho defendendo aqui no Painel a escalação de Neymar pela esquerda, Hulk pela direita e Oscar pelo centro, jogando o Brasil num típico 4-2-3-1, sendo este, taticamente, muito mais próximo do 4-3-3 e drasticamente distante dos dogmas defensivos do 4-4-2. Acredito que Neymar rende mais aberto pela esquerda, assim como Hulk pela direita. Entretanto, para essa partida a melhor solução é espelhar o 4-4-2 e pressionar o adversário. Fazendo dessa forma, que é equilibrar o jogo no plano tático, vai ficar mais fácil da disparidade técnica fazer a diferença.

Como citado, o meia Espinoza é o cérebro do time, sendo necessária uma atenção especial com relação a sua movimentação. Quando este sai para criar, a equipe hondurenha fica praticamente num 4-1-4-1, com Bengston sozinho na ponteira de ataque e Martinez formando nova linha (mais ofensiva) com o avanço de Espinoza.

Entretanto, para que dê certo o espelhamento tático, é necessária muita disciplina de Hulk e Oscar, que terão tanto que compor a linha quanto auxiliar o ataque da Seleção. De nada vai adiantar liberar Neymar para romper as linhas se este não tiver respaldo dos companheiros. A disparidade técnica é absurda. Porém, não vislumbramos o mesmo quadro quando o assunto é padrão tático. É bom o Brasil ficar alerta e entrar jogando sério, ou então poderemos ter outra derrota vexatória para Honduras, assim como há 11 anos, na Copa América da Colômbia. Abraço!

 

 

O Painel Tático recomenda a leitura que auxiliou a feitura do presente texto, outra obra prima de Cecconi:

 

- Blog Impedimento.org, de Eduardo Cecconi:

http://impedimento.org/analisestaticas/?p=534

 

 

 

 

 

Victor Lamha de Oliveira

 

 

Tópico: PRÉVIA TÁTICA: BRASIL x HONDURAS

Acho que esse ano vem a medalha de Ouro!!

Maurício | 03/08/2012

Fala Victor, blz?? Ótima prévia heim! Vamos enfrentar uma seleção que vai jogar fechadinha neh saindo só nos contra ataque, mas temos tudo para ganhar pois vemos jogando bem.

Esse ano to achando que ganhamos a tão esperada medalha de ouro nas Olímpiadas, pois dois grandes favoritos (Espanha e Uruguai) já deram Adeus a competição!

Como já falei várias vezes, prefiro o Neymar pela esquerda, Oscar pelo meio e Hulk na direita, fazendo um 4-2-3-1 sem a bola e com a bola o 4-3-3!

Abraço

Re:Acho que esse ano vem a medalha de Ouro!!

Victor Lamha de Oliveira | 07/08/2012

Grande Maurício! Joga fechadinha mesmo...naquele 4-4-2 britânico...típico de Londres. Mas, para esse jogo, creio que seja melhor o Neymar jogar entreas as linhas hondurenhas! Abraço!

Vitão, prefiro um 4-3-3

Rafael | 03/08/2012

Vitão, dessa vez vou discordar. Eu prefiro o Brasil num 4-3-3 com Neymar, Hulk e Damião na frente e Oscar na ligação. Na cabeça de area pra ficar mais ofensivo tiraria o Romulo (que eu nao gosto) e colocaria o Danilo. Contra essas retrancas com cara de inglaterra, tem que jogar bem ofensivo.

Re:Vitão, prefiro um 4-3-3

Victor Lamha de Oliveira | 07/08/2012

Fala Rafael, tudo bom? Quanto ao Danilo eu concordo, também acho que deveria ser titular ou ao menos entrar durante a partida. Quanto ao esquema, para esse jogo eu prefiro uma variação para o 4-4-2 em linha, com Neymar livre. Abraço!

ótima observação

Diego | 03/08/2012

Bom dia vitor! Gosto mto do seu site. de boa? é um dos melhores do segmento. continua assim q vc vai longe! pode saber q estou sempre aqui. olha, tenho certeza q o brasil vai enfrentar uma grande retranca, o famoso ferrolho. ai, vamos ver os locutores com esse bla bla bla que o brasil nao sabe jogar contra linhas de quatro. tem que movimentar. alem de fazer o que vc sugeriu no desenho do jogo, tem q ter MOVIMENTAÇAO do time todo, tirando so o goleiro. Minha aposta e de 2x0 brasil...se nao tiver salto alto. vlw

Re:ótima observação

Victor Lamha de Oliveira | 07/08/2012

Olá Diego, tudo bom? Muito obrigado pelos elogios! A casa é sua! Movimentação e inspiração vão ser fundamentais para o êxito brasileiro. Abraço!

Novo comentário